EXCLUIR PAI GERA PROBLEMAS NA VIDA DOS FILHOS

Seja por raiva, medo, vingança ou esquecimento, ausência causa desordem familiar

PAI É ELO DE LIGAÇÃO COM MUNDO ADULTO

Segundo Hellinger, esse é o segundo movimento afetivo: quando a criança passa do âmbito da mãe para o âmbito do pai. Definitivamente, o pai é o elo de ligação da criança com o mundo exterior, o mundo adulto, no qual ela começa a estabelecer contato com a realidade ao seu redor e com a vida.

“A adaptação ao jardim de infância ou a qualquer situação nova se torna mais bem-sucedida quando é o pai quem acompanha o desprendimento”, diz a psicoterapeuta familiar Laura Gutman, no livro “A Maternidade e o encontro com a própria sombra” (Ed. Best Seller).

DESORDEM NAS FAMÍLIAS SURGE QUANDO PAI É EXCLUÍDO DA CONSCIÊNCIA E DO CORAÇÃO

Infelizmente, o que acontece hoje é que muitas crianças crescem sem a presença do pai, pelo fato de a mãe ter se separado dele e dos filhos permanecerem com ela. “A mãe tem uma tendência, por qualquer razão, de atrair os filhos pra si mesma, longe de seu pai. O que isso causa aos filhos? Aparta-os do mundo e, portanto, da vida. Somente através de nosso pai entramos em contato com o mundo”, diz Bert Hellinger em seus textos. A desordem nas famílias nasce quando se exclui o pai do convívio, seja por raiva, medo, vingança ou esquecimento. Este ser “não-olhado” cria uma força nociva no sistema familiar e, futuramente, paga-se um preço alto por essa exclusão.

Num passado nem tão distante assim, a sociedade delegava ao pai um papel de provedor e todos dependiam economicamente dele. Ele tinha que estar presente e sólido na vida real, pois somente dessa forma se garantia a sobrevivência das famílias. Porém, nas últimas décadas, com a autonomia e independência financeira das mulheres, acabaram os grandes obstáculos que as impediam de se separarem de seus maridos quando a relação deixava de funcionar. Escritórios de advogados e consultórios de terapeutas ficaram cheios de demanda com divórcios, disputas por pensão alimentícia, guarda dos filhos e alienação parental. Virou rotina da Justiça decidir que a guarda dos filhos ficasse com a mãe. E, em muitos casos após a separação, a mãe acabava impedindo o acesso do pai ao filho, principalmente quando nutria raiva e mágoa do ex-parceiro, devido à traição, abandono ou qualquer outro motivo.

Existem outras tantas causas para uma exclusão: quando alguém teve um pai abusivo, quando nunca o conheceu ou quando este faleceu precocemente. Geralmente há muita mágoa, julgamento, rejeição, reivindicação ou esquecimento por parte dos filhos e ex-mulher.

COMO É POSSÍVEL RESTAURAR A PAZ PERDIDA NAS FAMÍLIAS

O caminho para a paz vem com a inclusão desses pais, desses homens, respeitando e honrando o seu lugar de direito no sistema familiar a que pertencem, independentemente do que tenham feito ou deixado de fazer.

Afinal, o ato de dar a vida é irrevogável. Ninguém pode negar esse protagonismo.

É importante dizer que essa inclusão não significa necessariamente manter um convívio – pois às vezes esse pai já faleceu, não é conhecido ou simplesmente não deseja contato com os filhos. O objetivo é dar um lugar a ele na sua consciência e no seu coração. Para muita gente isso pode ser bastante difícil e, às vezes, leva-se uma vida inteira para conseguir fazer esse movimento afetivo interno. Daí a importância do apoio de um profissional da área terapêutica nesse processo. O ato de incluir a figura paterna na família não pode ser um mero protocolo. A mudança precisa acontecer no nível emocional e não pela via racional, intelectual. A solução, portanto, é sempre uma solução humilde.

2017-12-17T16:40:57+00:00
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