Tornar­-se um líder? Isto significa que os líderes não nascem líderes, mas que vão se formando no decorrer da vida? E que podemos dirigir esse processo? Sim. Significa exatamente isso: que liderança é um tipo de habilidade que as pessoas podem desenvolver em si mesmas, desde que aprendam a lidar com suas próprias emoções de forma madura.

Esta é a proposta desta publicação: discutir as emoções envolvidas no processo de liderança e a forma adequada de vive-­las para atingir esse objetivo. Mas por que falar das emoções? Por que não focar principalmente a parte racional?

As pessoas não sobrevivem sem água, comida e líderes. A frase comparando a liderança com dois componentes fundamentais para a nossa sobrevivência pode parecer até absurda. Mas, se refletirmos o impacto da ausência de bons líderes em nossas vidas, tenho certeza de que a comparação torna-se imprescindível.

Precisamos de bons líderes nas empresas, nas religiões, na política, nas famílias e nas salas de aulas.

Verdadeiros líderes são raros atualmente. Infelizmente, temos muitos impostores e pessoas egoístas, em busca de resultados financeiros insustentáveis. Esses pseudolíderes preferem construir ambientes de medo, onde as pessoas nunca são enxergadas e valorizadas. Os verdadeiros líderes devem facilitar e não dificultar a vida das pessoas. Um dos maiores desafios que percebo atualmente nas organizações, tanto públicas quanto privadas, é criar uma cultura centrada em valores, tais como integridade e transparência, e que também seja voltado para a alta performance. Lamentavelmente, muitos executivos e gestores acreditam que precisam fazer concessões, favorecendo um em detrimento do outro. Segundo pesquisas, de todas as falhas da liderança, 90% são falhas de caráter.

É importante salientar que os líderes não nascem prontos. A liderança é uma habilidade desenvolvida e refinada e que pode ser aprendida por qualquer um.

Para isso, a formação e o desenvolvimento contínuo de líderes deve ser uma das grandes prioridades das empresas brasileiras em 2018, independente do seu ramo de atuação. Nos tempos atuais é quase impossível que um estilo de liderança meramente autoritário seja bem-sucedido durante muito tempo. As pessoas simplesmente não permitem e nem toleram mais isso! A imagem do líder como um domador de leões, com uma cadeira e um chicote na mão, não funciona mais.Os líderes devem sempre enxergar e escutar mais. Para isso é necessário que os líderes prestem mais atenção às pessoas e procurem estudar mais sobre o comportamento humano. Um líder que não conhece bem as pessoas adota sempre as mesmas estratégias para todos os membros da sua equipe, sendo isso, muitas vezes uma das principais causas de desmotivação, descontentamento e conflitos.

Os líderes devem sempre influenciar e inspirar, ou seja, os verdadeiros líderes talvez não sejam tecnicamente os mais habilidosos ou talentosos, mas devem aprender a valorizar, reconhecer e inspirar aqueles que são. Para que isso ocorra é necessário entender que algumas das principais necessidades humanas são: sentir-se importante, ser reconhecido e valorizado.

Para liderar com sucesso, os líderes também devem ser coerentes com o que dizem e fazem, inspirando e construindo credibilidade.

Constrói-se credibilidade não fingindo ser perfeito, mas sendo sincero com as pessoas. Outra característica essencial para liderar bem é a humildade. Ser humilde não significa ser bonzinho, nem desmerecer o seu próprio valor. A humildade está intimamente ligada ao respeito. O próprio significado da palavra humildade que no sentido latino vem de húmus, ou seja, terra fértil, já diz tudo. O processo de se tornar um verdadeiro líder é árduo, embora altamente recompensador. Um caminho de contínuo aprendizado, onde o autoconhecimento e o autodesenvolvimento devem ser companheiros inseparáveis. Não vivemos em um tempo difícil, mas em um tempo diferente. Os líderes devem ter consciência da nova realidade e se adequar a ela, entendendo claramente que novos problemas e oportunidades exigem novas maneiras de pensar e agir.